JAPÃO – ARUBAITO: COMO É A FÁBRICA

No fim de 2017, fui ao Japão, mais especificamente em Yamanashi-ken trabalhar como arubaito na Chateraise, uma fábrica de doce.

Arubaito é trabalho temporário, normalmente de 3 meses. É muito comum os estudantes de graduação descendentes de japoneses fazerem no período de férias (dezembro, janeiro, fevereiro), pois é uma boa oportunidade para conhecer o país, adquirir experiência numa fábrica, fazer amizades e ajuntar dinheiro.

Eu tive alguns imprevistos desagradáveis no meu arubaito, que foi o suficiente para eu não indicar a agência nem a empreiteira por que eu fui. Assistência zero da parte deles. Mas vou deixar isso para outro post.

Trabalhei na Chateraise de Toyotomi, lá era assim:

  • Tem 4 andares. A principio, cada um é fixo de algum andar e só. Ser fixo da linha depende do quanto você vai chamar a atenção dos ‘chefinhos’ e operetas. Arubaitos não costumam ficar fixos.
  • O refeitório fica no 3º andar. Tem banheiro em todos os andares.
  • Só pode comer no refeitório. Só.
  • Não tem horário fixo para entrar, nem mesmo para almoçar. Você fica sabendo o horário que vai entrar um dia antes; antes de ir embora do setor, tem um quadro com os horários programados; se você esquecer de ver, é só olhar no site ou pedir para a empreiteira (dependendo da empreiteira).
  • Tem hora extra (e muita) dependendo da época do ano. Por exemplo, no fim do ano.
  • Você tem direito a 8 folgas por mês e pode tentar escolher as datas. Você deixa marcado num papel as folgas para o mês seguinte e passa para o chefe do setor. Nem sempre você consegue todas as datas que queria.
  • Tem uma sala fechada para fumar no refeitório.

Eu era fixa do primeiro andar da fábrica de Toyotomi. É nesse andar que montam e decoram os bolos. Vou listar uns pontos importantes desse lugar, que eu acho que devem ser considerados se você quer trabalhar lá:

  • Tem muitos funcionários mal educados, principalmente as idosas, várias idosas passavam mais tempo prestando atenção no serviço dos outros do que no delas;
  • Tem muitos operetas impacientes que mostram em meio minuto o que você deve fazer e, se você demorar meia hora para entrar no ritmo, te trocam de função. É assim, eles te posicionam num lugar da esteira, a esteira é ligada, quando chega a sua vez, eles fazem pra você e daí pra frente você quem faz, se você não entrar no ritmo em poucos minutos ou fazer errado, eles trocam seu dever. Sei que era comum os operetas falarem mal de quem não sabia japonês, do lado da pessoa, principalmente se essa pessoa sempre precisava ser trocada. Não sei se aconteceu comigo, mas fui trocada de função umas três vezes.
  • Não tem horário fixo para almoçar e, às vezes, você tem que pedir. Quase sempre eu entrava às 6h00 ou 7h00 e meu almoço era entre as 13h00 e 14h30. E não pode comer na sala de intervalo, que costuma ser de 10 min de manhã e 15 min à tarde, aí vai de cada um comer escondido no vestiário ou no banheiro.
  • Dizem que o primeiro andar é onde mais tem brasileiros ruins. Então, tome cuidado, caso não saiba falar em japonês, ao pedir para eles ajudarem a traduzir o que o opereta falar. Além de brasileiros, há muitos filipinos, alguns peruanos, chineses e coreanos. Já aconteceu de uma peruana falar em japonês para um opereta que alguns arubaitos estavam comendo morango, sendo que era ela quem estava; esses arubaitos sabem japonês e entenderam o que ela disse.
  • Rola muita fofoca. Um falando mal do outro. O negócio é ignorar e fazer o seu trabalho.
  • Tem muita gente chata lá? Tem. Mas tem muita gente boa e você tem que ficar atento para saber identificar, porque essas pessoas vão te ajudar muito quando você precisar.

Então, a fábrica não é perfeita. É bem bagunçada e conversei com algumas pessoas que já trabalharam em outras fábricas ou que saiu dessa e todas elas disseram que detestaram a Chateraise.

O salário varia de acordo com a sua empreiteira. Tem gente que recebe 900 ienes, outros que recebem 1200, outros 1100. Homens sempre ganham mais que as mulheres.

A Chateraise dá bônus de 10000 ienes para quem não faltar durante um mês, a minha empreiteira nem falou isso para gente, porque ela pega esse dinheiro para ela – fiquei sabendo por outros funcionários.

Enfim, o básico sobre essa fábrica está aí. Faça sua escolha.

Anúncios

O QUE ELES QUERIAM?

Quando Emília estava na 1ª série, ela tinha um estojo cheio de lápis de cor, além de todo o material escolar exigido pela escola – borracha, lápis, régua, cola -, tudo era novo, de marca boa e comprado pelos seus pais.

Logo nos primeiros dias, a primeira colega dela pediu emprestado um lápis de cor, ela emprestou e, mais tarde, a menina o devolveu. Nos dias seguintes, conforme fazia mais colegas, mais iam pedindo seus materiais emprestados.

Com o passar do tempo, seus materiais foram ficando mais gastos e sujos, alguns até sumiam e sua mãe passou a notar o que estava acontecendo com suas coisas. Ela disse, então, para Emília nunca mais emprestar suas coisas, pois as pessoas não estavam cuidando direito e nem devolvendo.

Emília ouviu sua mãe.

No dia seguinte, durante a aula, uma colega pediu uma borracha emprestada a ela e ela disse não.

“Deixa você!”

Emília não sabia o que estava acontecendo. Vários colegas passaram a sentar longe dela e muitos olhavam pra ela e começavam a cochichar.

Ela apenas negou algo que era dela. Por que ela não podia negar? Por que ela foi ameaçada por dizer não a alguém? Por que tantas pessoas se afastaram dela? Elas não eram colegas?

Emília passou um longo tempo se perguntando o que fez as pessoas se aproximarem dela.

Será que elas realmente queriam bem Emília ou queriam o que Emília tem?

Por que as pessoas querem tudo do jeito delas? Por que elas não tentam entender o motivo de alguém ter certas atitude com elas?

Tantas perguntas que ela fez pra si mesma, mas uma coisa ela teve certeza: é preciso ter confiança em si mesmo e não se deixar levar pelas atitudes de outras pessoas, não importa se isso a levará a ter menos amigos; o importante é se manter íntegro.

LEMBRE-SE QUEM VOCÊ ERA

Desde quando  era criança, ela ouvia de todos os adultos que cuidavam dela que é importante ler, escrever e guardar aquilo que for bom com ela. Ela ouvia o que eles diziam e sempre levou essas palavras com ela.

Uma das coisas que ela mais amava era copiar frases bonitas em qualquer papel ou em qualquer lugar que ela pudesse ler mais tarde.

Muitas frases que ela guardava era motivacional. Ela amava essas frases que incentivavam a nunca desistir.

Como passar do tempo, ela passou por problemas, típicos da adolescência, que a fez perder seu foco e seu motivo para viver.

Ela nem lembrava mais das frases que havia copiado e guardado.

Ela se perdeu.

Mas um dia, pensando em quem ela costumava ser, antes de passar pelos problemas da adolescência, ela começo a se lembrar do que costumava fazer: ler, escrever e guardar aquilo que for importante.

Ela abriu seu antigo aplicativo de anotações e viu frases de livros e séries que ela havia salvado.

Tais frases diziam para nunca desistir e sempre dar o seu melhor. Essas frases lembraram-na que a vida, embora tenha um fim, vale a pena ser vivida com o máximo de esforço, dedicação e integridade.

E, agora, ela voltará a fazer o que fazia, ler essas frases sempre que possível e continuar procurando por frases que a motivem. Mas o principal, ela voltará a fazer o seu melhor e voltará a ter a ambição de ser alguém quem ela se orgulhará ao seu olhar no espelho.

A melhor frase que ela encontrou:

If there’s just one piece of advice I can give you, it’s this – when there’s something you really want, fight for it, don’t give up no matter how hopeless it seems. And when you’ve lost hope, ask yourself if 10 years from now, you’re gonna wish you gave it just one more shot. Because the best things in life, they don’t come free.

Grey’s Anatomy

AÇÃO E REAÇÃO AO DIZER ‘NÃO’

Ela sempre dizia ‘sim’ pra quem ela tinha consideração. Ela tentava ajudar; deixava de lado seus deveres quando suas amigas estavam tristes e precisavam de um ombro amigo.

Ela sempre oferecia comida quando tinha, não se importava em compartilhar nem em emprestar o que tinha. Ela gostava de fazer os outros felizes e de fazer o bem.

Ela tentava dar o melhor dela sem esperar receber qualquer recompensa, exceto respeito e consideração pelo que fazia.

Entretanto, algumas pessoas começaram a abusar do jeito dela.

Eles sempre pediam algo emprestado e nunca devolviam no dia combinado, com o tempo, nem mesmo agradeciam quando um favor era feito.

Quando ela pedia ajuda, passaram a ignora-la. Uma certa vez, ela até mesmo ouviu “se vira, você vai estar sozinha”.

Quase sempre, faziam algo que ela não gostava e ela pedia para parar, mas não paravam. Por exemplo, liam em voz alta um texto que ela fez para um trabalho, o que a deixava envergonhada; riam do sotaque das pessoas – estrangeiros, principalmente -, o que ela via como preconceito.

Uma certa vez, pediram o cartão de almoço dela e ela disse ‘não’ para um deles. ‘Não’ por nunca respeitarem o que ela exigia quando emprestava algo a eles, por nunca a levarem a sério, ‘não’ por não respeitarem as pessoas por elas serem o que são. ‘Não’ pela hipocrisia deles.

Ela disse ‘não’ e o que eles fizeram? Não falaram mais com ela e, pior, difamaram-na.

Disseram que ela era ruim, que estava negando comida, pois ela tinha condições de almoçar em outro lugar, pois ela tinha obrigação de alimentar um adulto, que sai de um lugar para outro e espera depender de outras pessoas, pois ela e sua família se esforçavam para ter uma vida confortável, enquanto eles só sabiam se lamentar pelas dificuldades que a vida deram para eles e se aproveitar da boa vontade dos outros e do dinheiro que eles lutaram para ter.

Ela sabia da importância que é para ela ajudar as pessoas, mas sabia que havia um limite e, se ela não colocasse agora esse limite, nunca as pessoas a respeitariam e sempre aproveitariam dela.

Ela tinha consciência que nem todos nasceram numa família de classe média e que o país ainda tem muita desigualdade, mas ela conheceu pessoas, ao logo de sua vida, que moravam no lugares mais pobres de sua cidade, mas que sempre trabalharam para ter aquilo que queriam e nunca usaram suas dificuldades para os outros terem pena delas.

Ela sabia que não é fácil sair e bater na porta em busca de emprego, mas o que é fácil, hoje em dia? Quem não tem dificuldades?

Ficar reclamando que o loiro de olhos azuis com sobrenome complicado consegue tudo o que quer, muda a sua situação ou continua a mesma? Desejar mal a alguém que conseguiu o que você queria vai te tornar alguém melhor ou te deixar mais feliz? Aliás, desejar mal a alguém por qualquer motivo é tão prazeroso? É necessário? É bom?

Ela se sentiu mal pela difamação, mas feliz por ter dito ‘não’. Às vezes, as pessoas aprendem da pior maneira possível que, nem sempre, haverá alguém para fazer o que elas querem, que é preciso batalhar, ao invés de reclamar, para conseguir viver bem e ouvir ‘não’ faz parte da vida de qualquer um.

O que ela aprendeu? Ela aprendeu que um simples ‘não’ pode causar reações inacreditáveis em  pessoas que ela achava serem honestas, mas que isso ajuda a reconhecer as pessoas íntegras e que é seu direito dizer ‘não’ para as coisas que ela não quer fazer.

 

O QUE FAZ FALTA

No post passado, eu disse que os poucos amigos que tenho na faculdade não tem nada a ver comigo. Eu não quero dizer que não gosto deles, eu gosto, sim. Eles me ajudam com as matérias na faculdade, tiram as dúvidas que eu tenho em alguns exercícios, me dão dicas de como estudar, me lembram o porquê de estar na faculdade, enfim, eles estão sempre ali pra tudo que eu preciso na faculdade.

Mas por que eu disse que a gente não tem nada a ver?

Porque a gente não tem assunto fora da faculdade.

Queria muito, mas muito uma relação íntima no sentido de ter coisas em comum com outra pessoa. Por exemplo, ter alguém pra conversar sobre Game of Thrones, comentar a nova música de uma banda de rock, falar sobre maquiagens da M.A.C, ir em bons restaurantes, fazer compras no shopping, viajar… Sabe? Essas coisas, amizade que a gente sabe que vai levar quando a faculdade terminar ou quando a gente estiver de férias, qualquer tempinho que a gente tiver fora da faculdade.

Tenho, sim, amiga como descrevi. Mas o que dói é ela morar longe e eu raramente vê-la. Sinto um falta imensa de alguém do meu lado todos os dias, que me faça, realmente, me sentir em casa quando eu estiver na faculdade ou em qualquer lugar.

Amizades do tipo Blair & Serena, Marissa & Summer, Chuck & Nate, Seth & Ryan, Cristina & Meredith, Tomoyo & Sakura, Brooke & Peyton… Amizades que têm desentendimento, mas tem muito assunto, muito companheirismo, muitos pontos em comum e que você não quer perder por nada, porque você sabe que essa pessoa é a melhor pessoa pra se ter por perto.