MEU CANTINHO

Cem postagens no blog.

100.

Essa é a 101º.

O blog não é meu trabalho, não sou blogueira. É só um cantinho meu em que eu conto histórias, exponho minha opinião, falo o que estou sentindo e por aí vai. É minha terapia, basicamente.

Sei que ultimamente tenho andado ausente por aqui, mas quero que isso mude. Prometo que vou me organizar para mudar e uma vez por semana trazer textos falando de algo que me tocou – pra melhor ou pior -, contar histórias meigas, dar conselhos – embora eu precise tanto quanto qualquer um.

Em breve, viajarei para um lugar cuja estação do ano será inverno. Então, quem sabe, quando eu voltar, eu consiga dar dicas de como sobreviver. Por enquanto, estou em busca dessas dicas, pois será minha primeira viagem. Ainda faltam alguns meses até lá, mas como esse é meu cantinho, quero deixar aqui registrado minha felicidade em poder realizar um sonho de infância e espero que seja só o começo de muitas outras realizações.

 

 

O QUE FAZ FALTA

No post passado, eu disse que os poucos amigos que tenho na faculdade não tem nada a ver comigo. Eu não quero dizer que não gosto deles, eu gosto, sim. Eles me ajudam com as matérias na faculdade, tiram as dúvidas que eu tenho em alguns exercícios, me dão dicas de como estudar, me lembram o porquê de estar na faculdade, enfim, eles estão sempre ali pra tudo que eu preciso na faculdade.

Mas por que eu disse que a gente não tem nada a ver?

Porque a gente não tem assunto fora da faculdade.

Queria muito, mas muito uma relação íntima no sentido de ter coisas em comum com outra pessoa. Por exemplo, ter alguém pra conversar sobre Game of Thrones, comentar a nova música de uma banda de rock, falar sobre maquiagens da M.A.C, ir em bons restaurantes, fazer compras no shopping, viajar… Sabe? Essas coisas, amizade que a gente sabe que vai levar quando a faculdade terminar ou quando a gente estiver de férias, qualquer tempinho que a gente tiver fora da faculdade.

Tenho, sim, amiga como descrevi. Mas o que dói é ela morar longe e eu raramente vê-la. Sinto um falta imensa de alguém do meu lado todos os dias, que me faça, realmente, me sentir em casa quando eu estiver na faculdade ou em qualquer lugar.

Amizades do tipo Blair & Serena, Marissa & Summer, Chuck & Nate, Seth & Ryan, Cristina & Meredith, Tomoyo & Sakura, Brooke & Peyton… Amizades que têm desentendimento, mas tem muito assunto, muito companheirismo, muitos pontos em comum e que você não quer perder por nada, porque você sabe que essa pessoa é a melhor pessoa pra se ter por perto.

 

O QUE ME TRAVA

Gosto daqui, de escrever, de expressar meus sentimentos em palavras, de contar histórias e de ninguém saber quem sou eu.

É  tão bom ter esse espaço pra mim, embora eu nem sempre passe por aqui. E eu me sinto muito mal pela minha ausência nesse cantinho, porque a faculdade tem consumido todas as minhas energias e porque minha vontade viver tem desaparecido.

Oh, não! Não tem nada a ver com 13RW ou o jogo da baleia…

Eu sempre digo que amo meu curso e eu amo com todo o meu coração. Entretanto, minha vontade de ir até a faculdade e de estudar tem desaparecido. Parece preguiça, eu sei. Às vezes, eu acho que é preguiça, mas eu não me sinto com preguiça. Eu sinto que não sou boa o suficiente para estar onde estou; por mais que eu me esforce, as outras pessoas são sempre melhores. Sinto que não sou querida na faculdade e que, os poucos colegas que tenho, não tem nada a ver comigo. Eles realmente são muito diferentes de mim, mas fico perto deles, porque eles também não se dão bem com a turma em geral.

Sabe aquela sensação de não pertencimento? É exatamente assim que eu me sinto. E não é só na faculdade. Morar onde moro  nunca me deixou feliz, sempre achei que meu lugar fosse em outra cidade, mas, quando vou a para outra cidade, sinto que meu lugar é aonde moro.

Eu me odeio por ser assim, por ser tão complicada e, principalmente, por ser medrosa. Tenho tantos medos. Medo de sair de casa, de conhecer alguém, de expressar minha opinião, de falar em público, de usar as roupas que eu quero, de ser julgada. O fato do meu blog ser anônimo é justamente pelo medo… Medo das pessoas que eu conheço rirem de mim por eu ter um blog, rirem das coisas que eu escrevo…

Meu medo me trava. Eu quero dizer para todos vocês não terem medo, mas como posso? Eu sou a pessoa mais medrosa que eu conheço. Seria hipocrisia.

Eu comecei terapia com uma nova psicóloga, a gente vai trabalhar nos meus medos, então, o que eu posso dizer é: procure um profissional. Eu sei, dá medo de ir até um, mas pensa que é um profissional, alguém que terá a chave para te ajudar, embora o caminho até ele alcançar essa chave, seja longo.

 

O RACISMO QUE NINGUÉM VÊ

Antes de tudo, quero deixar o que é racismo, segundo o dicionário Priberam, porque, durante muito tempo, eu acreditava que racismo dizia respeito a somente negros.

1. Teoria que defende a superioridade de um grupo sobre outros, baseada num conceito de raça, preconizando, particularmente, a separação destes dentro de um país (segregação racial) ou mesmo visando o extermínio de uma minoria.

2. Atitude hostil ou discriminatória em relação a um grupo de pessoas com características diferentes, notadamente etnia, religião, cultura, etc.

Encontrei esse texto no Facebook de uma mulher chamada Fabiane Ahn:

Como toda mulher, sofro agressões diariamente. Mas eu não sou só mulher. Eu também sou amarela.
As agressões a mim direcionadas não são vistas como agressões, muito menos injúrias raciais. Dizem que eu não sofro racismo. Porque racismo é contra negro e aos meus nada se vê. Mas eu sinto.
Eu sou feminista. Tem dias que são difíceis. Tem dias que ouço as frases dentro das aspas abaixo de outras ditas feministas. Tudo que transcrevi nas linhas que seguem eu realmente ouvi e ouço. Mas eu sou feminista. Então eu resisto.
“Calma! É só uma brincadeirinha!”
É uma brincadeirinha… Nadica de nada…
– Ô “japa”!
– Meu nome é…
– “Japa”!
– É sério, eu prefiro que me chame pelo meu nome…
– Hahaha!
Você prefere ser chamada pelo seu nome? Mas seu nome não importa! Bradam com orgulho de onde vem o sobrenome que carregam: “Minha avó é italiana!”; “Toda a minha família veio da Alemanha!”; “Meu avô por parte de pai é meio russo”. Mas você não importa. China? Japão? Coreia do Sul? Do Norte? Taiwan? Hahaha! É tudo a mesma coisa! Seu nome não importa. Você é a “japa”. Eu não preciso me dar ao trabalho de saber o seu nome, garota.
“Racismo? Pelo amor de Deus, você não sofre racismo, você é quase branca!!!”
Eu sou quase branca… Sou quase branca? Houve época em que ouvir tal afirmação me daria alívio. “Ufa” – pensaria, “passei despercebida”. Só que eu não sou branca. Nem “quase branca”. Não me dilua. Eu sou AMARELA.
“Até que você é bonita para uma ‘japa’.”
A dita feminista me faz sentir um lixo. “Até que” eu sou bonita. Pra uma “japa”. Porque as “japas” são horríveis. Você já parou pra reparar nelas? Tem aquela famosa lá, a Lucy Liu que chama né? Ela é bonita. É bonita pra caramba. Mas as asiáticas são feinhas né? A cara bolachuda! Hahaha, que coisa… É, não costumam ser bonitas não…
Eu cresci me achando feia. Acreditava piamente nisso. “Feia”. Olhava no espelho e a menina de 13 anos do reflexo me falava: “feia”. Olhava no espelho e tava tudo errado! O cabelo? Preto, liso, sem graça. A pele? Amarelada. O rosto? Todo redondinho, que saco, parece uma bola! Cadê o corpo? Cadê meu corpo? O corpo que refletia ali no espelho não era o suficiente. Cadê O corpo? O violão, eu quero dizer! Os peitos, a bunda, as coxas??? Não quero nem falar dos olhos… tão pequenos, puxados… Escuros… Que saco… Não é à toa que perguntam se eu enxergo alguma coisa com eles… Queria ter olhos azuis.
“Seu corpo parece uma criança! Hahaha.” – ria a dita feminista, enquanto caçoava da minha falta de curvas mesmo aos quase 30 anos. Só que eu não sou a menina de 13 anos parada na frente do espelho sem saber por que via tanta coisa errada num corpo que não tinha nada de errado. Eu não queria mudar meu biotipo. Eu queria mudar a minha RAÇA. Eu queria ser branca, porque ser branca significaria não ser zombada na escola. Porque ser branca significaria ser tirada pra dançar na festinha americana. Ser branca significaria ser BONITA.
Eu nunca fui feia. Eu só nunca fui branca. E isso era tudo que tinha de “errado” comigo.
Toda vez que dizem pra uma mina fora dos padrões que “até que ela é bonita pra uma [insira etnia]”, ferem nossa história de aceitação, nossa cultura, nossos traços, enquanto mais uma vez, enfiam em nossas goelas abaixo esse padrão que não representa nenhuma de nós.
A dita feminista se preocupa com sua menstruação, seu corpo, seu útero. Procura saber sobre o coletor menstrual. Muito melhor! Mas no meio tempo me diz: “[…] falando nisso, estive discutindo com uns conhecidos nossos… queria te perguntar uma coisa… a sua vagina é na horizontal mesmo? Hahaha”. Porque eu sou asiática. Por isso a piada. Hahaha! Você não achou engraçado? Era pra ser engraçado! A sua vagina, pô!
“Vocês são bem submissas, né?” – pergunta a conhecida.
Ao passo que da mulher negra fazem a imagem da mulher agressiva, de nós, asiáticas, fazem a imagem da mulher submissa. A que não reclama. Que ri com as mãos à boca. Tímida. Internaliza. Nunca exterioriza. Flor do Oriente. Delicada, fala pouco, fraca, frágil, inocente, ingênua, DÓCIL. Porém pronta pra ser fetichizada. Porque nós, mulheres de cor, somos fetiches.
Caralho, eu não sou nenhuma dessas coisas!!!
“Calmaaa! Caramba, de onde saiu isso? Não sabia que vocês eram bravas assim, eu hein!”
Porque a mulher asiática é submissa. Não é? Era pra ser!
“Deixa eu te apresentar meu amigo, ele SÓ gosta de orientais!”
“Eu já fiquei com duas asiáticas antes de você.“
“Você é muito exótica” – eu não sou fruta, eu não sou bicho e tem mais 1,5 bilhão de pessoas de onde eu descendo.
Eu sou “exótica” ou eu NÃO SOU BRANCA?
A pessoa não gostou do que eu falei? “Volta pra tua terra!”
A pessoa não gostou de mim? “Volta pra tua terra!”
Eu existo: “Volta pra tua terra!”
As manas negras são acolhedoras. Acolhedoras demais. Elas sofrem a pior face do racismo, veem a cara mais feia e mais suja dele. Desde sempre. Souberam, já quando crianças, o que lhes custou ter cor na pele e não ter o nariz fininho. Nós amarelas temos isso em comum com elas. Tô tentando comparar? Tô não. Tem nem comparação. Tô tentando entender de onde vem a empatia delas.
Se você não tá dentro dos padrões e se acha linda, dá um abraço aqui mana. Você é foda pra caralho! Você ouve desaforo e sua cabeça tá lá erguida? Você é foda pra caralho!!!
Não quero nem estou diminuindo a luta individual nem interna de cada uma, inclusive as meninas que teoricamente estão “dentro do padrão” e mesmo assim lutam com sua auto-estima. Mas é libertador ter orgulho da sua cor, juntar todas aquelas coisas que dizem que são feias em você e ainda se achar bonita PRA CARALHO!
EU SOU AMARELA. O SEU FEMINISMO ME ENXERGA?

Eu li esse texto e me identifiquei em cada linha.

Sempre morei num bairro periférico, negros aqui são comuns, amarelos, não. Eu era zoada, tanto por brancos, quanto por negros. Eles passavam por mim e imitavam o cumprimento de abaixar a cabeça com as mãos juntas e falavam “arigatou… sayonara…”. Uma vez, na aula de inglês, a professora pediu para eu ler uma frase e um garoto negro perguntou para ela: “mas prof, e se ela confundir e ler em japonês?” A parte boa? A professora me defendeu: “isso é preconceito, cara, chega.”

Por causa disso, eu tinha uma certa dificuldade em entender porque o racismo contra negros era algo especial, porque todos reconheciam que não se pode falar de tal forma sobre eles ou com eles. Mas por que eles podiam praticar atos desrespeitosos contra outras pessoas? Eu não me fechei aos negros –  nem brancos, nem nenhuma outra raça. E descobri que o que os levam agir assim é a tal hipocrisia e não são todos que agem dessa forma, apenas os ignorantes. Eu aprendi e reconheci a luta deles.

Sempre quando se referiam a mim, falavam “japonesa, japa, japinha”. Quando eu era criança, meus olhos enchiam-se de lágrimas, porque eu tenho nome e eles não queriam saber qual é. Ser chamada assim foi algo que eu precisei me acostumar, nunca gostei, mas era o único jeito de não me queimar com as pessoas. Também precisei me acostumar a ouvir perguntas do tipo: “você fala japonês? Você come de palitinho? Qual a diferença entre japoneses e chineses? O pênis de japonês é mesmo menor?…”

“Mas é tudo brincadeira, eu ouvi falar que é assim, é só curiosidade…”. Ah sim, claro… Mas você não pergunta pro descendente de italianos se ele fala italiano, se ele só come pizza e macarrão, o tamanho do pênis de italiano. Você também não chama um negro de áfrica, mas chamar um japonês de japa está tudo bem, né?

As pessoas, em geral, me veem como uma menina delicada, fofinha, quietinha e depois que me conhecem, dizem que eu nem pareço japonesa. O que seria uma japonesa? Por que as pessoas dizem e imaginam essas coisas?

Diversas vezes, riam de mim, faziam piada de mau gosto, diziam que japoneses, chineses, coreanos são todos iguais. Uma vez, numa aula, um aluno fez uma pergunta e o professor pediu pra eu tampar os ouvidos, tampei e ele respondeu ao aluno: tudo igual é um caminhão cheio de japoneses. A sala toda riu, ele disse rindo que era brincadeira, eu fiquei sem graça, tentei rir, porque, caso contrário, diriam que eu sou chata, não sei levar na brincadeira.

Até hoje, eu tenho que aguentar “brincadeiras” desse tipo; até hoje, alguém da minha roda de amigos puxa os olhos para mim; até hoje, me falam: você é japa e não tira dez nas provas? Até hoje, me dizem que sou uma “japa fake”, porque não sei falar japonês; até hoje, me falam que eu deveria saber de cabo a rabo cada detalhe do Japão; até hoje, me fazem passar por diversos constrangimentos e eu não brigo, eu não discuto, finjo que não é por mal, porque dizem que japoneses não sofrem racismo.

“Mas não foi mesmo por mal, era brincadeira. Juro!” Até onde vai a brincadeira? Até onde vai sua curiosidade? Até onde vai, se é que há, bom senso? Por que ninguém pergunta se o descendente de alemão fala alemão? Se o descendente de italiano sabe tudo da Itália? “Ah, mas japonês é minoria numa sala de aula ou numa roda de amigos, quando a gente vê, vem as perguntas e tudo mais.” Com certeza, a maioria é brasileiro, né? Se você estudou, deveria saber que o Brasil é um país que foi colonizado por portugueses, antes deles, os índios eram quem ocupavam esse país. Com o passar dos anos, italianos, alemães, japoneses, africanos, etc vieram e fazem parte da população do Brasil. Então, como afirmar que, numa roda de amigos, quem é maioria e minoria? Aliás, pura curiosidade, poucos sabem: quem nasce no Brasil é brasileiro, assim como quem nasce no Japão é japonês e assim por diante.

Meu corpo sempre foi pequeno. Enquanto, aos 14 anos, as meninas da minha sala já estavam peitudas e bundudas, eu estava reta. Uma vez, uma menina disse: “gente, ela é retinha, credo!”. Desde então, naquela época, eu usava sempre um moletom pra disfarçar meus peitos minúsculos. Depois de alguns anos, ainda seca, passei a usa sutiã com bojo, porque qualquer lugar que eu ia, as pessoas olhavam para meus peitos e viam que eu mal tinha. E ainda hoje, não tenho.

As pessoas falam de igualdade para os negros, LGBTs e gordos. Ok, mas e o resto? Porque o racismo contra amarelos, por exemplo, é descartável, perto da deles? Eu digo “por exemplo”, porque não são só amarelos que sofrem racismo e passam despercebidos; tem muito mais.  Não é comparar, não. Não se compara preconceitos, racismos… Nunca. A gente quer é igualdade, entende? E enquanto a gente fingir que o preconceito e racismo estão restritos a tais grupos, nunca haverá igualdade.

 

COMO COMEÇOU… E TERMINOU

Em 2012, fiz o 3º do ensino médio em outra escola; fiz algumas amizades lá. 5 amigas foram muito especiais; uma delas ainda é, ela é uchinanchu como eu, ama a nossa cultura e eu aprendo muito com ela quando nos encontramos. 4 delas eram um grupo formado já quando eu entrei no colégio e, após um tempo muito na minha, comecei a tentar me aproximar delas, principalmente por SMS e Whatsapp.

Eu tentava fazer os trabalhos em grupo com elas, mas, às vezes, sentia que B não me queria por perto. Uma vez, num trabalho, perguntei se podia fazer com elas e B disse: “depende de quantas pessoas forem, porque eu não quero você no meu grupo”, ela falou rindo, eu senti uma pitada de verdade, mas demonstrei levar na brincadeira. Outra vez, num passeio do colégio, uma menina passou recolhendo os nomes de quem iria e B perguntou para as outras três menina se iriam, enquanto eu conversava com elas: “A, você quer ir? T, você vai? G, e você?”; eu fiquei com aquela cara de quem acabou de ficar no vácuo e tentava disfarçar, então, T perguntou se eu queria ir, eu disse que não e B fez uma cara de quem não gostou de eu ser convidada.

O ano chegou ao fim, cada uma indo pro seu canto, mas tentei manter contato com elas nas férias. Errei feio, em especial, com B. Ela era de quem eu mais tentava ser amiga, sempre mandava mensagem pra ela, perguntando do dia dela e falando do meu, mesmo ela nunca perguntando. Um dia, estava tão nervosa, chorando com os problemas que passava com minha família e fui desabafar escrevendo pra ela e, em resposta, obtive: “ué, escreve no papel e queima…”. Eu fiquei com tanta raiva, mas o que eu disse? “hahaha,…”, levei, novamente, na brincadeira.

Quando fizemos o grupo, no Whatsapp, eu sempre mandava mensagens e, mesmo no privado, eu sempre mandava mensagem para todas elas, quase todos os dias e, raramente, uma delas me respondia ou apenas dizia: “nossa, hum…, interessante, não entendi…, tô ocupada…”. Eu escrevia o nome de alguma delas, se mandasse algo específico e, mesmo assim, acontecia de eu ficar no vácuo. Tentava ser engraçada, comentava quando elas mandavam alguma coisa, mas sempre tive a sensação de que eu era, de fato, um peso pra elas. Eu forcei a elas abrirem um espaço pra mim, elas abriram, mas, de uma certa forma, uma passagem ainda estava fechada.

As conversas no Whats nunca tinham a ver comigo, elas falavam de alguém que elas conheceram numa festa, que estudou com elas e, quando eu perguntava quem é, elas diziam que eu não conhecia e retomava a conversa, como se eu fosse invisível.

Após algum tempo, fiquei bem próxima de A. A gente passou a conversar mais abertamente. Tantas vezes, deixei de lado minha tarefas do cursinho para ler suas mensagens, ela vivia com problemas pessoais e eu sempre tentava aconselhá-la, preocupava-me com ela, realmente.

Quando saíamos, eu tentava rir do que elas falavam, prestar atenção no que diziam, ser engraçada, enfim, tentava ser amigável. Eu gostava de fazer brincadeira com elas, de ser irônica e sarcástica, todavia, é algo que faço com todos e minhas outras amigas nunca tiveram problema, elas fazem o mesmo comigo, afinal, nada disso propaga ódio e preconceito; o que elas nunca me falaram é que isso as incomodava – descobri quando briguei com A.

Quando briguei com A, no final do ano passado, devido à sua falta de interesse pelos estudos (creio já ter falado disso no blog), ela despejou tanta coisa em cima de mim, tanta coisa que me machucou tanto e T queria que eu pedisse desculpa a ela, mas sabe quando você não vê motivo e suas palavras são vazias? Era assim que me sentia, mesmo A tendo me pedido desculpa. Faria algo apenas para agradar T e A, pra variar. B e G foram neutras no assunto.

Quando A postou algo no grupo do Whatsapp, mostrando foto de sua tatuagem nova, todas comentaram “que lindo!”, menos eu e T veio tirar satisfações no privado comigo:

T: Por que você não comenta mais?

Eu: Por que não tem nada de interessante. (na verdade, eu só não queria ser falsa. A tatuagem não me agradava e eu me sentia estranha, após brigar com A em um dia e no outro sair elogiando-a).

T: Então, vai lá com suas amiguinhas da engenharia.

E foi aí que eu decidi dar um basta. Eu me esforcei durante muito tempo para construir uma amizade com elas, fiz todo o meu possível, abri meu coração a elas e elas nunca se esforçaram para ajudar a construir nossos laços. Deixei de fazer várias amizades, porque passava tempo demais no celular, tentando conversar com elas, ouvindo-as e me aproximando delas. Dediquei-me a isso durante 4 anos, desde que deixamos o colégio e nunca parecia como se elas quisessem o mesmo. Sabe, amizade requer dedicação, disse isso a T, e que eu não posso mais fazer isso por ela, nem por A, G e B, então, é hora da gente se afastar.

Eu me iludi ao achar ser possível ter vários amigos. Na verdade, eu  realmente queria ser aquela pessoa que tem muitos amigos e mais de 200 curtidas numa foto no Facebook. Eu nunca serei essa pessoa, porque para ser essa pessoa, eu terei que deixar de ser eu e isso é o que destrói minha integridade. Para mim, a integridade é o que há de mais belo em uma pessoa; é a pessoa ser o que ela é. Continuar forçando amizade com elas só destruiria o que eu mais gosto de ver nas pessoas, além disso, eu estaria sendo hipócrita.

Hoje, me círculo de amigos tem 9 pessoas muito queridas: N, R, B.L, P, C, M, A.S, L e A.Y. Eu as amo, por tudo o que elas são e por tudo o que elas me permitem ser. Eu quero muito falar de algumas dessas pessoas para finalizar esse longo texto:

B.L está comigo desde o 1º ano do ensino médio, ela sabe tudo sobre mim; brigamos muito e deixamos de conversar várias vezes, mas SEMPRE nos respeitamos e nunca usamos como desculpa pelas nossas brigas que tivemos um dia péssimo – eu ou ela ou ambas -. Ela é aquela amiga quase mãe, sabe, fala umas verdades e dá umas broncas também.

N eu conheci no primeiro ano de cursinho. Pense numa pessoa que sempre vai tentar ver o seu ponto de vista e tentar de ajudar. Super inteligente, carismática e eu chego a invejar a capacidade que ela tem de falar com todos. É minha companheira pra SP.

R é a amiga mais antiga, desde 2008 a conheço. Sabe me dar conselhos e me ouvir, canta tão bem e ouvir suas músicas me acalma. Faz anos que não nos vemos pessoalmente, mas a confiança e o carinho são fortes.

M eu conheci no Twitter, em 2009 (eu acho). Minha primeira e única amizade virtual, aquela que seus pais dizem para não fazer, porque é perigoso, mas se você for esperto e sortudo o suficiente, pode encontrar um amigo muito querido. Não conversamos frequentemente, mas ela é uma pessoa maravilhosa, confio tanto nela que é a única pessoa para quem eu passei o endereço do blog.

 

PS1: 2016 trouxe o fim, mas todo fim traz algo novo, eu acredito. Então, que 2017 traga-me sabedoria e força para eu não perder minha integridade, novos amigos são bem vindos, desde que eu não me perca como antes.

PS2: acho importante ressaltar que nem sempre A, T, B e G foram frias comigo. Nos divertimos muitas vezes, eu creio, elas me deram apoio quando eu estava prestando vestibular. Pelos momentos bons, pelos conselhos inesquecíveis e pelo que elas me ensinaram, eu sou muita grata. Eu vou sempre guardar os bons momentos e lembrá-los com carinho e espero, do fundo do meu coração, que elas encontrem seus caminhos e sejam felizes. Além disso, se um dia elas lerem esse texto, quero que saibam que a amizade acabou, mas o caráter continua.