JAPÃO – ARUBAITO: AGÊNCIAS E EMPREITEIRAS

Continuando a falar sobre arubaito, se você estiver decidido a ir ou muito interessado, o passo a seguir agora é procurar uma agência ou procurar direto uma empreiteira.

Tem várias agências que fazem arubaito: HBN Tur, Pipoll Travel, TGK, Taiyo… Eu fui pela Pipoll.

No início, antes da viagem, eles foram muito prestativos. Eu não tinha passaporte, então eles providenciaram, assim como o visto, o koseki tohon, a passagem de ida e volta e até mesmo o seguro viagem – eles têm parceria com a Affinity. Tudo isso é pago antes de viajar.

Durante a viagem, tive uns imprevistos e precisei acionar o seguro. Entrei em contato com a agência e o problema foi que eles disseram para eu pagar a consulta e pedir reembolso no Brasil. O que achei um absurdo, uma vez que eu tinha levado dinheiro para passar o primeiro mês. Também tive problemas com a empreiteira que queria que eu fosse no médico no dia de folga, sendo que, no primeiro mês, a gente nem sabe quanto tem folga.

Enfim, durante a viagem, assistência zero. Então, tenha muita sorte se quiser ir por essa agência.

No que diz respeito à empreiteira, por que ir direto a uma empreiteira? Segundo alguns amigos, sai mais barato do que ir pela agência, porque você não paga taxa de serviço. Mas isso foi o que ouvi, esses amigos vieram pela agência comigo. É preciso pesquisar, ligar nas empreiteiras e agências.

A agência que fui é parceira da empreiteira chamada Cast One. Tem funcionários bons, mas tem ruins. Infelizmente, o pior é um dos cabeças. Vários arubaitos tiveram problemas com ele.

Todavia, empreiteiras em geral recebem muita reclamação. Procure no Facebook as empreiteiras que você encontrar por aí, mesmo que seja um amigo seu que lhe indicou. Também aconselho a procurar nesses grupo do Face:

  • Empreiteiras Desonestas no Japão e Tantooshas Coparticipantes
  • Japão Visto 2018/2019 (todo ano eles alteram esse ano, por exemplo, ano que vem será 2019/2020)

Procure, informe-se. Pergunte sempre a alguém sobre a assistência, por mais que você ache que não precisará.

Lembre-se que há vários fatores a se considerar, por exemplo:

  • O valor total do arubaito, o salário da fábrica que irá trabalhar vai compensa-lo?
  • A empreiteira é reconhecida? Sabe se dão boa assistência?
  • Como é o dia a dia na fábrica que irá trabalhar? É trabalho fixo, todo dia fazendo a mesma coisa? Horário fixo de entrada?

Claro que também vai depender do seu objetivo, se quiser viajar ou ajuntar dinheiro ou gastar tudo lá mesmo. Decida o que é prioridade e boa sorte!

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COMO VOCÊ VÊ UMA CRIANÇA?

Hey, adulto! Chega aqui, me ajuda a te entender, por favor? Tenho uma pergunta para você e uns pontos que gostaria que você considerasse após responder.

“Como você enxerga uma criança?” No sentido de como você acha que é o pensamento dela, se acha que ela tem sentimentos, se acha que ela é capaz de raciocinar, etc.

Já tem sua resposta? Pode dize-la pra mim? Ok.

Agora, quero que você reflita um pouco. Vou contar-lhe algo que aconteceu comigo quando era criança:

Eu deveria ter uns 6 ou 7 anos, quando fui ao mercado com meus pais e meu irmão, meu pai ficou no carro, esperando a gente. Quando minha mãe foi pedir para pesar um saco de fruta ou legumes (não lembro), um cara estranho chegou falando que me viu no terreno da minha casa e que, quando eu tinha avistado-o, eu saí correndo. O jeito como ele contou fez todos darem risada, inclusive meu irmão. Eu não estava entendendo nada, nem lembrava do que ele falou ter acontecido, mas vi as pessoas rindo de mim e isso me marcou.

Eu era criança, poderia não estar entendendo nada daquilo que estava acontecendo, mas me senti humilhada de alguma forma, quando vi as pessoas rindo de mim. Pra mim, não interessa se ele estava tentando ser engraçado ou chamar atenção, interessa que ele estava me humilhando. Foi assim que eu vi, foi assim que me senti. Essa história de falar “ah, mas ele podia ter achado fofinho ver você correndo”, “você era criança, deve ter sido fofa sua carinha”, oi? Que tem a ver? Não é engraçado rir de criança, não é certo rir quando uma criança faz algo que ela não acha engraçado.

Essa foi uma das pequenas coisas que aconteceu na minha infância e fez eu ser quem sou hoje: uma pessoa tímida, introvertida e receosa.

Então, adulto, você ainda acha que as crianças não se machucam psicologicamente com as suas atitudes? Você acha que elas gostam quando dão risada dela por ela ter deixado um copo cair no chão? Ou do jeito que elas falam?

São crianças, não são robôs. Elas pensam e sentem, assim como você.

AMOR CEGO

“Por quê? Por que mentir? Por que dizer pra cada jovem que aparece “eu te amo”, se não é verdade? Sabe o quanto essa frase é forte para quem realmente sente isso por você? Não, não sabe.” – disse Mel para seu namorado.

Ele conseguiu uma bolsa de estudos na França e prometeu a Mel que ficariam juntos, apesar da distância. Ela acreditou. Ela prometeu o mesmo a ele.

Após um ano na França, ele já havia conhecido várias pessoas e feito novas amizades; sempre saía com eles quando podia. Mel decidiu passar as férias na Europa, então, eles decidiram viajar junto pelo continente.

Era lindo o amor deles nas fotos. Ele sempre escrevia nas legendas: lindinha, te amo.

Mas no fim da viagem, ele disse para ela: “Acho que está na hora de cada um seguir seu rumo… Somos muito diferentes. Não está dando certo.”

Ela ficou em choque. A viagem foi um sonho para ela, era a certeza de que o relacionamento dos dois cresceu, que eles estão mais firmes do que nunca juntos.

“Não pode ser! Você disse que me ama tantas vezes! Como pode acabar assim? Eu fiz tudo vim aqui por você e você, no fim, só queria dar um fim no nosso relacionamento? Por quê? Por que mentir?”

Ele nada disse.

Era o fim.

Naquele dia, Mel começou a relembrar os momentos juntos, principalmente durante a viagem e notou a presença de uma mulher sempre por perto. Um dia, antes de voltar para o Brasil, ela viu os dois juntos de mãos dadas. Ela sabia. Ele esteve traindo-a.

Ela se sentiu envergonhada por ter sido enganada. Não queria que ninguém soubesse, queria ficar escondida para sempre.

Já no avião, ela teve tempo o suficiente para pensar que ele era o errado. Ele deveria se envergonhar; ele é um mentiroso, um traidor, uma pessoa que não tem o menor respeito pelas outras pessoas. Mas o que mais a deixou triste foi saber que a pobre mulher que está com ele acredita nele. Talvez ela tenha sido manipulada por ele e acreditado nas promessas de amor ou talvez ela seja como ele.

Ainda assim, Mel não conseguia entender como essa mulher pode se aproximar de uma cara comprometido, sendo que ela sabia disso. Não sabe o sofrimento que é ser traída? Ser trocada? Ser tratada como qualquer coisa que as pessoas sempre jogam fora quando acham algo melhor? Não sabe que ele pode fazer isso com qualquer uma?

Ela nunca vai entender.

Mel foi cega, porque o amor é cego.

 

EU LEMBRO DO SEU ATO RACISTA

Eu me lembro, quando eu estava no ensino fundamental 1, minha mãe costumava me levar para a escola de a pé e um garoto loiro, andando de bicicleta, começou a nos seguir até chegar na escola. Ele ficou fazendo perguntas para minha mãe:

Ele: Qual o nome dela?

Mãe: Mariazinha.

Ele: Mas ela não parece ter esse nome, ela é diferente, tem o olho puxado, o nariz achatado…

Mãe: Mas é esse o nome dela.

Ele: Ela fala?

Mãe: Claro que fala.

Ele: Mas fala em português?

Mãe: Sim

Eu me lembro, nessa época, que minha professora faltou e separaram minha turma em pequenos grupos e cada um foi para uma sala diferente. Na sala em que eu fiquei, um garoto branco ficou falando da minha aparência: “Ela não tem o osso no nariz igual a gente tem, ela é estranha, tem o rosto deformado”. Minhas amigas disseram para eu ignorar, eu apenas olhei para ele com cara brava.

Eu me lembro, também na mesma época, durante o recreio, alguns meninos brancos, negros e pardos vinham até mim, faziam a mesma referência que os japoneses fazem quando cumprimentam alguém que respeitam muito, e falavam: “arigatou, sayonara!” e eu lembro que as pessoas ao redor riam ou ignoravam. Eu ignorava.

Eu me lembro, quando estava no ensino fundamental 2, durante uma apresentação em dupla, na aula de inglês, um garoto negro perguntou para professora, quando eu e minha colega fomos apresentar: “mas professora, e se ela confundir e começar a falar em japonês?”. A professora é negra e disse: “amigo, ela é descendente de japoneses, é brasileira, isso que você falou não tem sentido”. Mas ele insistiu: “Não, eu sei… Mas e se ela confundir…”. A professora: “sabe o que eu acho? Que isso é preconceito. Eu sou negra, você também e ela é amarela e tá quieta, então faz o mesmo e respeita”. Fingi não ter ouvido as asneiras do garoto e fiz minha apresentação.

Eu me lembro, quando estava no ensino médio, andando com duas amigas na hora do intervalo, uns três garotos brancos e pardos estavam num canto e, quando passamos por eles, eles disseram: “arigatou, sayonara”.

Eu me lembro, nessa época, sempre que estava sem meus pais por perto, tanto na rua como na escola, algumas crianças e adolescentes negros, brancos e pardos passavam e diziam: “arigatou, sayonara”. Eu sempre fingia que não era comigo e ficava muda, olhando para outro lado.

Eu me lembro, um ano depois de terminar o ensino médio, fui com meus pais em um festival temático, acho que era medieval, em Campinas, estávamos sentados tomando sorvete e um grupo de negros adultos passou dizendo: “arigatou, sayonara”, rindo da gente. Eu e meus pais ignoramos, mas pedi pra irmos embora imediatamente. Desde então, nunca mais fui em qualquer festival que não fosse japonês.

Essas são algumas da lembranças que tenho de todas as vezes que sofri racismo. Falei das cores das pessoas que fizeram isso comigo, porque, por mais que negros sofram racismo, eles também praticam. Sabe o que é isso? Hipocrisia. Brancos e pardos nem há o que dizer, não é? Sempre se achando superiores.

 

Obs: Índios também sofrem racismo, mas não cabe a mim falar. Mas vai aí uma reflexão: desde quando o jeito de se vestir do índio é uma fantasia, se é algo que faz parte da cultura deles, sempre fez?

UMA DAS COISAS SEM SENTIDO

Tem muita coisa sem sentido que eu já presenciei, no Brasil, sendo descendente de japoneses.

Não sei se sabem, mas o Brasil foi colonizado por portugueses e havia pessoas vivendo nele sim, eram chamados de índios pelos  portugueses. Mas enfim… Chegaram os portugueses dizendo que descobriram o Brasil (oi? como? já não tinha gente vivendo aqui?), depois mais povos de outros países vieram para viver aqui, cada um com seu motivo. Então, é muito comum, aliás, é normal encontrar pessoas descendentes de italianos, portugueses, espanhóis, alemãs, japoneses, chineses…

Por esse motivo, se você não sabe, deveria perguntar para seus pais ou avós qual a sua ascendência, porque você obviamente tem uma, talvez sua família sempre viveu no Brasil e é indígena. Mas você só terá certeza se perguntar para alguém mais velho da sua família. Mas isso não tem nada a ver com você ser ou não brasileiro; se você nasceu no Brasil, você é brasileiro.

Todos que nascem no Brasil é brasileiro. Aliás, eu sou brasileira.

E o que não faz sentido?

Não faz sentido os brasileiros falando para descendentes ou não de asiáticos (principalmente), que por coincidência também são brasileiros, ou qualquer outra pessoa de outra nacionalidade que veio morar no Brasil para ele ‘voltar para o seu país’.

Nem preciso dizer o quanto isso é xenofóbico, certo?

Mas preciso dizer o quanto isso não faz sentido, umas vez que a maioria das pessoas que dizem isso são brancas e pretas, o que quer dizer que a família delas veio de outros países e, no sentido que elas dizem, elas também não pertencem ao Brasil. Aliás, se for pensar como essa gente xenofóbica, somente os indígenas pertencem ao Brasil.

Enfim, não seja xenofóbico e seja menos ignorante.