O QUE ELES QUERIAM?

Quando Emília estava na 1ª série, ela tinha um estojo cheio de lápis de cor, além de todo o material escolar exigido pela escola – borracha, lápis, régua, cola -, tudo era novo, de marca boa e comprado pelos seus pais.

Logo nos primeiros dias, a primeira colega dela pediu emprestado um lápis de cor, ela emprestou e, mais tarde, a menina o devolveu. Nos dias seguintes, conforme fazia mais colegas, mais iam pedindo seus materiais emprestados.

Com o passar do tempo, seus materiais foram ficando mais gastos e sujos, alguns até sumiam e sua mãe passou a notar o que estava acontecendo com suas coisas. Ela disse, então, para Emília nunca mais emprestar suas coisas, pois as pessoas não estavam cuidando direito e nem devolvendo.

Emília ouviu sua mãe.

No dia seguinte, durante a aula, uma colega pediu uma borracha emprestada a ela e ela disse não.

“Deixa você!”

Emília não sabia o que estava acontecendo. Vários colegas passaram a sentar longe dela e muitos olhavam pra ela e começavam a cochichar.

Ela apenas negou algo que era dela. Por que ela não podia negar? Por que ela foi ameaçada por dizer não a alguém? Por que tantas pessoas se afastaram dela? Elas não eram colegas?

Emília passou um longo tempo se perguntando o que fez as pessoas se aproximarem dela.

Será que elas realmente queriam bem Emília ou queriam o que Emília tem?

Por que as pessoas querem tudo do jeito delas? Por que elas não tentam entender o motivo de alguém ter certas atitude com elas?

Tantas perguntas que ela fez pra si mesma, mas uma coisa ela teve certeza: é preciso ter confiança em si mesmo e não se deixar levar pelas atitudes de outras pessoas, não importa se isso a levará a ter menos amigos; o importante é se manter íntegro.

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OI, NÃO SOU RICA NEM POBRE

Oi, eu nasci numa família de classe média.

Média mesmo.

Não sou pobre. Nunca passei fome, nunca passei frio, nunca precisei pedir dinheiro na rua ou trabalhar quando criança e adolescente pra sobreviver.

Entretanto, não costumo comer fora toda semana, nem todo mês, às vezes, nem todo ano. Já deixei de comprar muita roupa, eletrônico e comida, porque não tinha dinheiro o suficiente e não queria pedir mais aos meus pais. Não estudei em escola particular, mas fiz três ano de cursinho particular – em um deles, pagava mais de mil por mês – para entrar na faculdade pública. Já deixei de gastar o dinheiro do almoço para ajuntar e comprar algo que eu realmente queria.

Minha mãe é dona de casa, apenas meu pai trabalha e sustenta a gente e meu irmão. Abrimos mão de muita coisa que consideramos futilidade para ter o essencial todo mês.

Não é fácil. A gente está numa era consumista. Toda hora a gente quer algo novo.

Adoraria ter um iPhone, mas aí eu penso, por quê? Meu atual celular tem espaço sobrando, atende minhas necessidades – ligação, mensagens, internet, músicas… -, a câmera pode não ser boa, mas eu tenho uma máquina fotográfica pequena que é melhor do que a câmera de um iPhone. Então, por que eu vou precisar de um iPhone?

Queria muito sair mais com meus amigos, ir em bar, restaurantes, sei da importância de vê-los e ter essa vida social mais agitada, mas eu penso que eu poderia estar deixando uns encontros de lado e ajuntar esse dinheiro para usar em algo maior que eu quero muito. Às vezes, esses encontros nem vão ser caros, mas de pouco em pouco o dinheiro vai e não sobra o suficiente para aquilo que eu queria usar no mês seguinte.

O mundo me faz abrir mão de muita coisa para eu ter aquilo que eu preciso e também o que eu quero.

Tem gente que diz que é fútil abrir mão dos encontros com os amigos para comprar algo que eu tanto quero, porque é uma felicidade momentânea. Bom, acredito que isso varia de pessoa para pessoa.

Amo meus amigos, mas eu também me amo e, por isso, abro mão de um para me sentir amada por mim mesma e a felicidade que eu sinto é imensa e, até agora, sinto ela quando lembro da minha escolha.

Eu quero ter mais dinheiro para não ter essas escolhas e sei como ter esse dinheiro: trabalhando honestamente.

Não é fácil viver só com ajuda do pai e eu tenho 23 anos, cursando segundo ano de faculdade. Sei que não vou encontrar um estágio numa master empresa e ganhar mais de 3000,00 reais por mês. Sou realista. Seja você também.

Não vou sair por aí fazendo protesto para as empresas me aceitarem ou criticando o método delas de selecionarem seus empregados.

Acho que a gente precisa valorizar as pequenas empresas e até aquelas que são grandes, mas ainda assim, são invisíveis. Acho que a gente deveria quebrar o preconceito contra certos empregos. Qual o problema em trabalhar no McDonald’s?

Pra mim, qualquer emprego honesto vale a pena, vai te ajudar a melhorar profissionalmente e pessoalmente.

Algumas pessoas têm sorte, têm contatos e elas conseguem o primeiro emprego no lugar dos sonhos. Não é meu caso e eu aceito que, se eu quero chegar em um lugar bom, terei que começar ali no começo e escalar uma montanha enorme.

Esse texto longo é, sim, um desabafo. Porque eu tô cansada de ver gente na faculdade usando desculpa que não consegue emprego na super empresa, que o fato de ser pobre sempre será uma pedra no caminho – pode até ser, mas não dá pra ficar chorando a vida toda -, e principalmente, que acha que protesto é a solução para tudo e culpa os “bem nascidos” por tirarem suas oportunidades.

Um dia, ainda vou explicar melhor esse negócio de protesto que, embora eu seja a favor, acho que as pessoas estão fazendo perder o sentido do que ele realmente significa.

LEMBRE-SE QUEM VOCÊ ERA

Desde quando  era criança, ela ouvia de todos os adultos que cuidavam dela que é importante ler, escrever e guardar aquilo que for bom com ela. Ela ouvia o que eles diziam e sempre levou essas palavras com ela.

Uma das coisas que ela mais amava era copiar frases bonitas em qualquer papel ou em qualquer lugar que ela pudesse ler mais tarde.

Muitas frases que ela guardava era motivacional. Ela amava essas frases que incentivavam a nunca desistir.

Como passar do tempo, ela passou por problemas, típicos da adolescência, que a fez perder seu foco e seu motivo para viver.

Ela nem lembrava mais das frases que havia copiado e guardado.

Ela se perdeu.

Mas um dia, pensando em quem ela costumava ser, antes de passar pelos problemas da adolescência, ela começo a se lembrar do que costumava fazer: ler, escrever e guardar aquilo que for importante.

Ela abriu seu antigo aplicativo de anotações e viu frases de livros e séries que ela havia salvado.

Tais frases diziam para nunca desistir e sempre dar o seu melhor. Essas frases lembraram-na que a vida, embora tenha um fim, vale a pena ser vivida com o máximo de esforço, dedicação e integridade.

E, agora, ela voltará a fazer o que fazia, ler essas frases sempre que possível e continuar procurando por frases que a motivem. Mas o principal, ela voltará a fazer o seu melhor e voltará a ter a ambição de ser alguém quem ela se orgulhará ao seu olhar no espelho.

A melhor frase que ela encontrou:

If there’s just one piece of advice I can give you, it’s this – when there’s something you really want, fight for it, don’t give up no matter how hopeless it seems. And when you’ve lost hope, ask yourself if 10 years from now, you’re gonna wish you gave it just one more shot. Because the best things in life, they don’t come free.

Grey’s Anatomy

AÇÃO E REAÇÃO AO DIZER ‘NÃO’

Ela sempre dizia ‘sim’ pra quem ela tinha consideração. Ela tentava ajudar; deixava de lado seus deveres quando suas amigas estavam tristes e precisavam de um ombro amigo.

Ela sempre oferecia comida quando tinha, não se importava em compartilhar nem em emprestar o que tinha. Ela gostava de fazer os outros felizes e de fazer o bem.

Ela tentava dar o melhor dela sem esperar receber qualquer recompensa, exceto respeito e consideração pelo que fazia.

Entretanto, algumas pessoas começaram a abusar do jeito dela.

Eles sempre pediam algo emprestado e nunca devolviam no dia combinado, com o tempo, nem mesmo agradeciam quando um favor era feito.

Quando ela pedia ajuda, passaram a ignora-la. Uma certa vez, ela até mesmo ouviu “se vira, você vai estar sozinha”.

Quase sempre, faziam algo que ela não gostava e ela pedia para parar, mas não paravam. Por exemplo, liam em voz alta um texto que ela fez para um trabalho, o que a deixava envergonhada; riam do sotaque das pessoas – estrangeiros, principalmente -, o que ela via como preconceito.

Uma certa vez, pediram o cartão de almoço dela e ela disse ‘não’ para um deles. ‘Não’ por nunca respeitarem o que ela exigia quando emprestava algo a eles, por nunca a levarem a sério, ‘não’ por não respeitarem as pessoas por elas serem o que são. ‘Não’ pela hipocrisia deles.

Ela disse ‘não’ e o que eles fizeram? Não falaram mais com ela e, pior, difamaram-na.

Disseram que ela era ruim, que estava negando comida, pois ela tinha condições de almoçar em outro lugar, pois ela tinha obrigação de alimentar um adulto, que sai de um lugar para outro e espera depender de outras pessoas, pois ela e sua família se esforçavam para ter uma vida confortável, enquanto eles só sabiam se lamentar pelas dificuldades que a vida deram para eles e se aproveitar da boa vontade dos outros e do dinheiro que eles lutaram para ter.

Ela sabia da importância que é para ela ajudar as pessoas, mas sabia que havia um limite e, se ela não colocasse agora esse limite, nunca as pessoas a respeitariam e sempre aproveitariam dela.

Ela tinha consciência que nem todos nasceram numa família de classe média e que o país ainda tem muita desigualdade, mas ela conheceu pessoas, ao logo de sua vida, que moravam no lugares mais pobres de sua cidade, mas que sempre trabalharam para ter aquilo que queriam e nunca usaram suas dificuldades para os outros terem pena delas.

Ela sabia que não é fácil sair e bater na porta em busca de emprego, mas o que é fácil, hoje em dia? Quem não tem dificuldades?

Ficar reclamando que o loiro de olhos azuis com sobrenome complicado consegue tudo o que quer, muda a sua situação ou continua a mesma? Desejar mal a alguém que conseguiu o que você queria vai te tornar alguém melhor ou te deixar mais feliz? Aliás, desejar mal a alguém por qualquer motivo é tão prazeroso? É necessário? É bom?

Ela se sentiu mal pela difamação, mas feliz por ter dito ‘não’. Às vezes, as pessoas aprendem da pior maneira possível que, nem sempre, haverá alguém para fazer o que elas querem, que é preciso batalhar, ao invés de reclamar, para conseguir viver bem e ouvir ‘não’ faz parte da vida de qualquer um.

O que ela aprendeu? Ela aprendeu que um simples ‘não’ pode causar reações inacreditáveis em  pessoas que ela achava serem honestas, mas que isso ajuda a reconhecer as pessoas íntegras e que é seu direito dizer ‘não’ para as coisas que ela não quer fazer.

 

MEU CANTINHO

Cem postagens no blog.

100.

Essa é a 101º.

O blog não é meu trabalho, não sou blogueira. É só um cantinho meu em que eu conto histórias, exponho minha opinião, falo o que estou sentindo e por aí vai. É minha terapia, basicamente.

Sei que ultimamente tenho andado ausente por aqui, mas quero que isso mude. Prometo que vou me organizar para mudar e uma vez por semana trazer textos falando de algo que me tocou – pra melhor ou pior -, contar histórias meigas, dar conselhos – embora eu precise tanto quanto qualquer um.

Em breve, viajarei para um lugar cuja estação do ano será inverno. Então, quem sabe, quando eu voltar, eu consiga dar dicas de como sobreviver. Por enquanto, estou em busca dessas dicas, pois será minha primeira viagem. Ainda faltam alguns meses até lá, mas como esse é meu cantinho, quero deixar aqui registrado minha felicidade em poder realizar um sonho de infância e espero que seja só o começo de muitas outras realizações.