ASSUMIR O COMPROMISSO OU DEIXAR PRA LÁ?

Fiz dois anos de ensino técnico, quando estava no ensino médio. No 2º ano tive estágio e descobri que não tinha vocação para essa profissão, nem mesmo gostava do meu curso; queria largar o técnico. Como o ensino médio e técnico eram juntos, não tinha como eu largar um e continuar o outro. Então, fui até o fim do 2º ano com os dois e no 3º mudei de colégio.

Assim que descobri que não iria continuar com o técnico, deixei de estudar para ele e passei a me dedicar somente ao ensino médio. Todavia, descobri isso durante o período letivo, então, já havia trabalhos em grupos marcados e eu tinha um grupo. Uma pessoa sem caráter deixariam o grupo na mão, não o ajudaria. Por mais que eu tivesse consciência que fazer trabalhos grupos não fossem fazer diferença pra mim, eu pensei no meu grupo e sabia que faria diferença para ele e não seria justo deixa-lo, afinal, eu firmei um compromisso com ele e deveria assumi-lo.

Ajudei nos trabalhos que tinha dito que ajudaria, fiz minha parte como o combinado e fiz dando o meu melhor, porque era pelo grupo e para o grupo, não dizia respeito somente a mim. Eu lembro desse momento e tenho orgulho da atitude que eu tive e gostaria que todas as pessoas que passam por uma situação como essa, também tivessem essa mesma atitude.

Trabalho em grupo é em grupo. A partir do momento em que você decide fazer parte de um grupo, você deve colaborar dando o seu melhor e ter consciência de que sua participação faz diferença, independente do número de pessoas nele, de você ter assuntos mais importantes pra resolver (estudar outra matéria, no caso) e, principalmente, de você estar insatisfeita com a situação em que você se encontra.

Obviamente, esse texto tem um motivo.

Agora, na faculdade, vejo pessoas que não estão gostando do curso e qualquer trabalho em grupo, não ajudam; dão desculpas, por exemplo, que já tem muita gente no grupo, que têm matérias mais importantes pra estudar, que não precisam de nota, que se sentem desmotivados porque os professores são ruins, o sistema de avaliação não faz sentido, só estão fazendo o curso pelo status e pelo dinheiro, porque o que realmente querem não é valorizado.

São poucas pessoas que, com pensamentos assim, prejudicam quem tem interesse no curso e nem se quer percebem o quão egoístas estão sendo, principalmente, por ter tirado a vaga de quem poderia estar, agora, na faculdade, e poderia estar feliz por fazer algo que ele quer pra vida dele.

E sobre as últimas linhas do outro parágrafo, uma observação:

Atrevo-me a dizer que, embora os professores não sejam bons, pelo menos, nós temos professores que se esforçam para ensinar a matéria para gente e, na nossa faculdade, os professores tentam ajudar o aluno a passar na matéria. A conhecida como melhor escola de engenharia do Brasil tem professores que nem mesmo vão dar aula e que fazem o de tudo para prejudicar os alunos. Não são todos os professores, mas posso afirmar que os professores mais velhos, em sua maioria, são como o descrito.

É certo? Não.

Mas pare.

Pense.

Se na faculdade já temos inúmeras dificuldades com nossos professores e com o sistema de ensino, imagina quando tivermos nosso próprio emprego. Teremos um chefe, teremos que obedecê-lo, teremos que seguir o sistema dele. E se não gostarmos? Faremos greve? Talvez, mas não vai funcionar. Por quê? Porque tem muita gente querendo nosso emprego. E o que vai acontecer se insistirmos? Demissão.

É triste.

É cruel.

Mas é a realidade.

 

PS: Assista ao segundo episódio da primeira temporada de Black Mirror.

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